segunda-feira, 6 de dezembro de 2010



Sobre o filme " A rede social"...



No último sábado, resolvi atualizar minha agenda de cinema. Afinal foram 2 semanas sem um filminho...Como sobreviver sem cinema? Pelo menos vi muita praia em Salvador e Aracajú. É cesta básica para mim ter na cidade cinema e praia-mar...Até nem vou muito à praia ,mas preciso sentir a energia do mar todo dia. Sei que ao atravessar a rua ele tá ali de braços abertos para mim...

Mas vamos ao filme " A rede social", eu gostei muito. O roteiro é ágil, os diálogos são intensos , a fotografia é misteriosa e charmosamente sombria. Acho exagerado os comentários que venho lendo sobre um filme de sexo, drogas, traição... Não sei se o gênero é drama também...

O roteiro é estruturado pelas reuniões e audiências de negociações entre o protagonista e sua rede em Harvard. Quem é o autor da obra? Esta é a grande tensão que sutenta o argumento do filme. Gostei da forma como Harvard foi retratada.

É muito bom viver este tempo de Cibercultura. "O perfil cognitivo do leitor imersivo" , como teoriza Santaella é bem trabalhado pelo filme. A cena da seleção dos primeiros estagiários do ainda "The Facebook" é , na minha opinião,uma das melhores do filme. Gosto também das cenas que mostram o hiato cultural entre professores, gestores escolares e estudantes. A diferença é gritante. O cotidiano em Harvard revela a tensão produtiva entre a tradição institucional e inovação de suas criações e criaturas.


Por outro lado, o filme revela que a genialidade de uma "cognição ciber" não é tudo e que precisa conviver e aprender com outras potencialidades e valores como por exemplo, amizade, tolerância, diversidade, vida . O filme é um convite à pais e professores repensarem seus pápeis em nosso tempo. A imersão na rede não garante, por si só, a cidadania. Precisamos atuar diretamente neste sentido.

Vamos aprender com este povo também! Este povo são nossos filhos e alunos. Desejando dialogar com vocês sobre o filme, suas personagens, cenas interessantes...




[]s
Méa

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sobre a peça "Bença" , inspirações para a pesquisa e prática pedagógica


Olá querid@s!

Ontem vi em Salvador-BA a Peça de teatro "Bença" com o Bando de teatro Olodum. Maravilhosa! Vejam fotos capturadas pelo meu ifone. O espetáculo discutia a noção de tempo a partir do olhar de pessoas idosas, gente do axé, intelectuais, artistas, pessoas de mais variados cotidianos. Como não podemos separar conteúdo de forma, compartilho com vocês a forma que me chamou bastante atenção. Afinal ler não é só decodificar o significante, mas é, também, relacioná-lo com nossa história de leitura e a nossa implicação com nossos sentidos mais presentes e cotidianos.


A forma do espetáculo é a mixagem e a multimídia. Por que não tocar também no hipertexto? Mixagem, por conta da mistura de linguagens. Multimídia, pelas interconexões de mídias. O teatro fazendo convergências. Dois telões (um na extrema direita e outro na externa esquerda na sala da arena) bricolavam imagens de arquivos e de entrevistas (com relatos de pessoas idosas sobre o tema do tempo, da ancestralidade, da morte-vida) com imagens capturadas ao vivo (do público na arena e dos atores em cena).

Os atores conduziram o roteiro de com falas simultâneas e síncronas. O protagonismo se deslocava o tempo inteiro entre os atores. Enquanto uns atuavam com falas e interações, outros capturavam com câmeras de vídeo (semi-profissionais as imagens in loco), outros tocavam instrumentos, outros assumiam o microfone principal. Todos os atores vivenciaram grande parte dos papéis. Esta dinâmica no palco central da arena cocriava com o que passava nos telões. No canto esquerdo do teatro dois operadores de som e imagem. Reparei que usavam tecnologia MAC! Juntando tecnologia de ponta com uma bela acústica do teatro tivemos uma imersão sonora fantástica. Isso sem contar com os sons do axé que me tocam profundamente... Isso só sendo baiano ou afrodescendente para entender...

"Tudo junto e misturado". Nossos sentidos foram acionados o tempo todo por simultâneos convites, permitindo que cada espectador construísse sua própria narrativa, algo inovador para o teatro (que fora o teatro do oprimido do Augusto Boal, ainda insiste em capturar a audiência numa única narrativa). Foi curioso observar o público. Pescoços movimentando-se o tempo todo e olhos buscando e capturando um fio para tecer uma ou alguma narrativa. Esforço cognitivo diferente para quem espera um teatro para assistir uma cena única. Quem foi esperando isso se surpreendeu, ou com a novidade da forma, ou com a decepção da novidade. Eu adorei pelo primeiro motivo.

E os figurinos...Queria um vestido daquele para mim!!!


Faltou a liberação dos corpos. Ainda estávamos com nossos corpos sentados na cadeira em posição de contemplação. Mas os sentidos a mil buscando a fio para entender a história por nossa própria autonomia.

O mais incrível é que o roteiro completo do espetáculo veio como anexo do catálogo (que custa apenas 5,00). O catálogo mostra a linha de tempo do "teatro negro" na BA via espetáculos do Villa Velha. Adoro este teatro que fica no Passeio Público um lugar lindo , que por sinal não encontra-se conservado. O espaço externo tá meio caidinho...Mas continua charmoso!

O roteiro apresenta-se em colunas com toda marcação do formato do espetáculo. Textos organizados por ator, mixagem dos vídeos gravados com os produzidos in loco, música. Enfim, a teia da rede que se propunha forma em cena. Até para quem já conhece a dinâmica de roteirização é interessante. Eu que trabalho com produção de conteúdo digital em sala de aula presencial ou online , na graduação e na pós, gostei de ter mais este case para socializar e analisar com meus alunos e orientandos. Afinal, é preciso planejar as ações e as produções.

Mesmo sabendo que muitos acham chato e dizem que planear é coisa de "pedagogo", isso para não fazer outro trocadilho... Mas sem organizar a materialidade da ação fica tudo complicado, mesmo quando o objetivo é fazer complexidade, hipertextualidade. Como diz Morin "programa com estratégia podem dialogar".


O espetáculo é um exemplo de que a inovação (tecnologias contemporâneas , uso de Mac e digital) pode convivem com a tradição (narrativas, memórias, mídias clássicas) potencializando autorias e experiências plurais. Vejam algumas fotos . Quem estiver em Salvador ou passando por lá, vale a pena vivenciar a experiência, até para refletir um pouco sobre esta noção complexa do que é o "tempo".

Por que narrar aqui ? Gostaria de trocar figurinhas com os colegas pesquisadores e estudiosos da "Cultura Digital" e da "Educação e Comunicação".

Como seria uma sala de aula e uma experiência de pesquisa inspirada na peça Bença?

Que aprendizagens poderiam turbinar a nossa prática de ensino e pesquisa?

Desejando interagir um pouco mais com os amigos desta rede...

Bjs

Mea

domingo, 17 de janeiro de 2010

Belô Velloso cantando Amy

Poesia da letra, delicada interpretação! Falta o borogadô e o drama da Amy. Viva a diferença.

VEJAM VÍDEO